um sítio para fugir

Cinque Terre e a Relação do Homem com o Mar

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Porque é que conseguimos olhar tanto tempo para o mar? Porque é que ver o mar faz-nos falta? Porque é que o mar tem um efeito tão terapêutico no pensamento?

Talvez porque no mar, procuramos na sua imensidão um futuro, necessariamente melhor, pois claro. Olhar o mar, é olhar o tempo. O nosso tempo. É decifrar o que está atrás daquele horizonte, imaginar até onde aquela rota nos pode levar. É antecipar as ondas que nos poderão deter e renovar esperanças, para que a viagem rumo ao nosso futuro seja tranquila.

Mas a relação do homem com o mar não é apenas de introspecção, é também uma relação de sobrevivência e de resiliência.

Visitar as Cinque Terre, em Itália, é fazer um estudo sensorial a esta relação milenar do homem com o mar. Património Mundial da UNESCO, as Cinque Terre são cinco aldeias medievais, apertadas pelas montanhas dos Apeninos na direcção do mar. A falta de espaço e de acessos, talvez tenham sido os requisitos obrigatórios para os fundadores destas aldeias, que em épocas de escravatura, vandalismo e pirataria, procuravam isolamento e protecção.

A conquista das Cinque Terre fez-se de barco, como não poderia deixar de ser. Partimos de La Spezia de manhã cedo, com nuvens negras a assombrar a nossa saída. A história das conquistas não se faz apenas em dias de sol.

Chegada a Riomaggiore

Riomaggiore é a mais pequena das cinco aldeias e o inicío da Via dell’Amore, um trilho que liga a aldeia, a Manarola, mas que estava bloqueada devido a problemas com inundações. Manarola será a aldeia mais fotografada e também a imagem mais usada para chamar turistas. Em todos os espaços aparecem anunciadas as suas especialidades, mas todos eles convergem no anúncio da mesma iguaria, Wi-Fi. Gosto de imaginar alguém deslocado deste mundo que entra num desses restaurantes e pergunta que tipo de peixe é esse, que ainda por cima é grátis.

Corniglia é a única que não tem porto, instalada numa zona mais alta em relação às outras aldeias, por isso passa mais despercebida, recebendo menos atenção dos visitantes. Vernazza foi a minha favorita, talvez por ser um pouco mais aberta que as anteriores, talvez pela sua praça central, ou pela torre de vigia no topo. Foi em Vernazza que a chuva finalmente decidiu cair com toda a intensidade, e por ter ficado mais tempo abrigado nesta aldeia, talvez tenha criado mais laços afectivos.

Monterrosso é a aldeia mais desenvolvida das cinco, com melhores acessos, mais horizontal, com melhores infra-estruturas e o final da aventura. Voltamos para o barco e procuramos lugares na proa para apanhar vento na cara. Despedimo-nos das Cinque Terre e da Ligúria, rasgando o mar, procurando novamente o caminho para um futuro tranquilo.

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