um sítio para fugir

Génova

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Ao passar de carro pela marginal de Génova, a cidade deixa-nos logo uma boa sensação. Tinhamos uma tarde inteira para explorar a capital da Ligúria.

Génova é uma cidade antiga, uma das mais velhas da Europa, mas ainda assim a sexta maior cidade de Itália e o maior porto comercial do país. Aliás, o impacto inicial que temos da cidade é uma mistura de edifícios e torres históricas, com uma sucessão de estaleiros navais, gruas e complexos metalúrgicos com aspecto abandonado.

Era a minha primeira experência em Itália, segunda ou terceira para a Sandra. Como mestre na arte de saber bem comer, soube-me logo indicar o que caía bem naquela hora: “Vamos comer uma focaccia”. Uma focaccia genovese, outra com queijo e uma fatia de torta della nonna para comer mais tarde, tudo condimentado com o melhor sorriso e simpatia genovesa. Provo a focaccia e vou a correr para a rua brandir a minha bandeira branca, já estou rendido aos sabores de Itália.

Piazza De Ferrari

Aquela boa sensação inicial, esmorece ligeiramente, à medida que vamos percorrendo a cidade a pé. A cidade não está bem tratada, mas nota-se que existe um esforço pela recuperação do centro histórico medieval. No corropio de ruas do centro histórico esbarramos por cidadãos de vários cantos do mundo, com uma presença muito grande de nacionalidades africanas, indianas ou chinesas, que nos faz imaginar como seria o pulsar da cidade nos primórdios da sua fundação. Conhecer Génova é viajar no tempo. Viajo preferencialmente para o passado. Imagino o fervor da cidade ao longo dos últimos séculos, fico encantado com as embarcações a partir e a chegar ao Porto Antico, cheias de mercadorias de todas as partes do mundo. Imagino as ruas atoladas de gente a falar todas as línguas. Gente que compra, que vende, que se despede ou reencontra alguém. Gosto de pensar que estou a pisar o mesmo chão que já pisou Colombo.

 

Génova tem conseguido manter-se fiel às suas origens, e isso é uma raridade nos dias que passam. A bela Piazza de Ferrari, San Lorenzo, o Palazzo Ducalle e uma caminhada na Via Garibaldi, têm de merecer sempre a atenção de quem visita a cidade. O Il Bigo, junto ao porto, é um elevador panorâmico giratório, inspirado nos mastros de um navio e eleva-se a mais de 40 metros de altitude, oferecendo, imagino eu, uma vista privilegiada da cidade. A espera, e os preços proibitivos para o nosso orçamento, não nos permitem subir no elevador, nem entrar no Acquario di Genova, um dos maiores da Europa por sinal.

Já de despedida, voltamos a cruzar a marginal novamente de carro. O entardecer favorece a cidade. A luz do sol esbate-se nas fachadas e a cidade fica toda da mesma cor.

Missão cumprida para este dia, já só falta provar a torta della nonna.

“Adeus minha bela Génova, vou embarcar nesta nau e vou ali descobrir a América sem querer e já venho. O rei de Espanha paga a viagem” Cristovão Colombo

 

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