Foi no caminho para Portofino que conquistei um dos prémios mais importantes da minha carreira: O prémio melhor condutor de automóveis português da actualidade. Os 5 kms que separam Santa Margherita de Ligure a Portofino, foram a prova cabal da minha qualidade rodoviária. Com duas vias, carros estacionados de qualquer forma, autocarros, bicicletas e pessoas a pé, o meu Fiat Panda sobreviveu sem um único arranhão. Tanto esforço para chegar a Portofino e não ter onde estacionar o carro, para ter de voltar 5 kms para trás. A solução foi deixar o carro em Santa Margherita e seguir de autocarro para Portofino. Decido renunciar ao meu prémio depois de ver os motoristas italianos a trabalhar. Em algumas curvas não cabia um dedo entre o autocarro e a parede.

Portofino foi uma pequena vila de pescadores fundada pelos romanos, agora é uma atracção turística exclusiva, preenchida com lojas de grandes marcas de moda, joalharia e restaurantes de qualidade. Para melhor apreciarmos a sua elegante curva de fachadas coloridas, subimos em direcção à igreja. Sentados, contemplamos este novo cenário e fotografamos até dizer chega. Caminhamos mais um pouco em direcção ao farol, quando começaram a aparecer as primeiras nuvens negras, batemos em retirada. Vinte minutos depois chove copiosamente, já estávamos na paragem de autocarro. Procuramos abrigo em Santa Margherita e nada melhor que uma “focaccia calda” para aquecer os nossos corpos molhados.

Corremos para o carro e decidimos ir para Camogli. Chegamos no momento em que parou o díluvio, mesmo a tempo de encontrar um cenário perfeito. Os raios de sol começam a furar as nuvens negras, reflectindo a sua luz na água acumulada dos passeios. As pessoas começam a sair dos seus abrigos retomando os seus propósitos. O meu, passou a ser fotografar o mais que podia.

Camogli não é só de quem a visita, ainda é dos pescadores. Em Maio, celebram-se as festas de San Fortunato, patrono dos pescadores, onde numa frigideira comunitária de 28 toneladas, frita-se peixe fresco para toda a gente. As casas de Camogli são uma espécie de torres de vigia apontadas ao mar, algumas chegam a ter oito andares.
Regressamos a casa sabendo que conhecemos um lugar especial. Foi uma despedida dolorosa, ficamos com a sensação que deviamos ter ficado mais tempo. Mas em Itália, para cada dor, existe sempre um bom remédio. Para mim foi prescrita uma dose forte de penne all’arrabiata para arrebitar os sentidos, para a Sandra, a mesma dosagem, mas de spaghetti all pesto para apurar as sensações.