um sítio para fugir

Andorra em 72 horas

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Faço uma promessa a todos os meus amigos que partem “Daqui a pouco tempo estou lá para te fazer uma visita”. Sorte a minha que ainda sou um homem de palavra. Destino: Andorra.

Avião Porto/Barcelona e depois autocarro para o Principado de Andorra. A panorâmica ao aterrar na capital da Catalunha é tão deslumbrante que durante alguns segundos esqueço-me que ainda tenho 3 horas de caminho, sem fazer ideia onde apanhar o autocarro. Mas “quem tem boca vai a Andorra” e por isso encontrar o autocarro nem chegou a ser problema. Aliás, todos os astros decidiram alinhar-se naquele momento e apenas tive de esperar 20 min para embarcar. Luxo.

Nunca consigo dormir em viagem, muito menos em autocarros ou comboios, porque mesmo que esteja a ler, fico sempre de olho na janela à espera de ser surpreendido por alguma paisagem. Para chegar a Andorra embrenhamo-nos na Catalunha profunda. Nas janelas de quase todas as casas conseguimos encontrar uma bandeira da região, e não me parece que tenha sido o Scolari a mandar pendurar as bandeiras. Mesmo só de passagem consegue-se perceber o problema espanhol com o desejo de independência da Catalunha.

3 horas e pouco, chegada a Andorra-a-Velha, a capital. Espero pelo Vitor, o meu amigo mais parecido com o Johnny Depp. Começam as apresentações da cidade. Mercado português, restaurante português e padaria portuguesa logo para começar. Depois vamos ao restante comércio. Tabaco, especialidade de Andorra, sendo produtora e com preços atractivos para quem gosta de se intoxicar. Depois perfumes, cosméticos, máquinas fotográficas, quinquilharias tudo a bom preço. Felizmente sou pobre, porque se não era bem capaz de perder a cabeça e comprar aquilo tudo.

Andorra tem praticamente duas estradas que a atravessam desde a capital. Os táxis não existem. Quem andar a pé levanta o braço e pede boleia ao carro que passa. Pede não, assinala que precisa de boleia, porque havendo espaço no carro é “lei” levar quem precisa de avançar mais uns metros para cima ou para baixo da montanha.

A noite será passada em Canillo, uma bonita povoação instalada num pequeno vale onde a montanha mais próxima parece estar prestes a desabar por cima das nossas cabeças. Fico com a sensação de querer ficar aqui para sempre, mas já não me deixo enganar por esse tipo de sentimentos. Fiquei a dormir na casa de férias de um casal valenciano, onde uma amiga do meu amigo faz limpezas. Atenção, isso é segredo. Quando entro no apartamento outra vez aquele sentimento de criar raízes, eu morava aqui muito facilmente. Ao acordar, com os primeiros raios de sol, abro logo a janela. Quem é que precisa de televisão com aquela vista. Começa a nevar com intensidade e a vista da janela ficou perfeita. Incrível como a queda de neve ainda nos provoca um fascínio tão grande.

Com neve e nevoeiro serrado seguimos estrada acima até Pas de la Casa. Branco, branco e mais branco, nunca tive tantas saudades dos meus óculos de sol. Pas de la Casa é uma estação de esqui, centro comercial e um local óptimo para quem gosta de ouvir falar francês na rua. Depois de almoço voltamos a Canillo. Café, mais tarde duas ou três Estrella Galicia e ainda vimos dois jogos do campeonato português.

Em Andorra não é preciso fechar o carro, porque ninguém o vai roubar. Se andares sozinho na rua não te admires que que te digam “Bon dia” e não precisas de gastar dinheiro num frigorífico muito grande, podes sempre por a carne ou algumas bebidas no parapeito da janela a refrescar.

Avisam-me que Andorra pode tornar-se claustrofóbica em poucos dias, mas não fiquei o tempo suficiente para conhecer essa sensação. Na minha cabeça, Andorra tornou-se um plano B ou C caso as coisas não corram bem em Portugal no trabalho ou então cometa algum crime que me obrigue a fugir.

(desta vez não há fotografias, ficaram perdidas na memória de um ex-computador, eram as melhores fotos de sempre)

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