um sítio para fugir

Inquietações II – Os Incêndios

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Os incêndios em Portugal são cada vez mais o reflexo da crise de valores que vivemos. Acreditar em causas naturais para os fogos é ingénuo. Se assim fosse já não teriamos floresta, pois se o mesmo número de focos de incêndio tivesse ocorrido há 100 ou 200 anos atrás, não haveriam os meios de combate aos fogos que temos agora. E nessa altura tenho a sensação que já existia sol, calor e mato. O que não é ingénuo pensar é que as causas advém de uma mistura explosiva de demência humana com interesses económicos. Para os sucessivos governos esta é uma luta secundária. Investir em meios de prevenção custa dinheiro, como uma rede de torres de vigia florestal, bem como os salários dos respectivos vigilantes. Essa rede poderia ser interligada com outra, de câmaras de videovigilância em locais considerados de alto risco. Sim, eu sei, isto soa a ficção científica. Os Governos gostam mais de gastar dinheiro na compra de helicópteros Kamov, para o povo ver, e para encher o bolso dos indivíduos do Governo que os compraram com comissões chorudas. Depois os custos de manutenção dos helicópteros ficam para o Governo que vier a seguir. Punir com penas de prisão os incendiários também não agrada ao Estado, porque é mais uma despesa em estadia e alimentação ao criminoso.

Quando arde, o combate é suportado pelas corporações de bombeiros, na maioria voluntárias e pela população. Se do incêndio resultarem danos graves para as povoações, são acionados seguros e mecanismos de apoio europeus. Por isso quando ouvimos dirigentes políticos a anunciar medidas de prevenção a incêndios, esqueçam, para o ano preparem-se todos para uma nova temporada da série “Portugal Burns”, um sucesso em todos os noticiários do país.

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