Sempre que ouvimos falar da Côte d’Azur, são sempre associadas palavras como luxo, sofisticação, romantismo e cultura. Eu confirmei isso tudo. Visitar a Riviera Francesa é sucesso garantido e tudo, efectivamente, pode dar certo. Este é um relato de uma viagem quase perfeita, em que o único grande problema, foi o mau cheiro em Grasse, a capital da perfumaria francesa.
A primeira descoberta foi a cidade de Nice. Encontramos estacionamento gratuito a pouca distância da costa. Eu avisei que tinha tudo corrido bem, não avisei? Quando chegamos a uma cidade costeira, não nos interessa mais nada que não seja encontrar o mar, é inevitável. E aí estava ele, o mar mais azul turquesa da minha curta carreira de contemplador de mares. Não estavamos preparados para ir a banhos, e ainda consideramos uma abordagem mais naturalista naquelas águas, mas decidimos não chocar a opinião pública francesa. Fizemos bem.
Estamos em plena Promenade des Anglais, o lugar mais simbólico da cidade, sete quilómetros de avenida, famosa pelas suas cadeiras azuis, posicionadas para apreciar a Baie des Anges. Foi no século XIX, que a aristocracia inglesa descobriu que podia encontrar abrigo dos seus invernos rigorosos, e retemperar as suas energias no clima ameno da Riviera. Naquela época havia apenas um caminho de terra ao longo da praia, e, para manter limpos os vestidos das damas inglesas, a Promenade foi construída em 1844. Depois surgiram os hóteis e os casinos ao longo da avenida. Para além de refúgio, Nice e a Promenade des Anglais, serviram de inspiração para grandes artistas. Henri Matisse retratou em muitas das suas obras a Baie des Anges. Muitas dessas pinturas estão em exposição no Musée Matisse na Colina Cimiez, também em Nice. Os mais curiosos poderão fazer uma pesquisa na internet e espreitar algumas destas obras. Já agora, podem pesquisar sobre outros pintores famosos, como Marc Chagall e Raoul Dufy, que também se inspiraram na Promenade.

Apreciamos a fachada do mítico hotel Le Negresco e caminhamos até ao porto de Nice. Viramos costas ao mar e começamos a percorrer as ruas mais interiores da cidade. Descobrimos o Museu de Arte Moderna e Arte Contemporânea, com um amplo destaque para uma exposição de Julião Sarmento. O Teatro Nacional de Nice, logo ao lado, é o início de uma caminhada de mais de 1 km ao longo da Promenade du Paillon, até encontrar novamente o mar. Entretanto, iniciamos os procedimentos técnicos para encontrar um lugar para almoçar. Os procedimentos passam por encontrar um lugar com boa comida, bom preço e mais difícil ainda, com uma mesa e duas cadeiras para sentar. Acabo sempre por precisar de comer qualquer coisa da mochila, para aguentar esta busca por almoço.
Depois de almoço, despedimo-nos de Nice, e seguimos para Èze, 13 kms mais adiante. Èze é uma aldeia medieval instalada num pico impossível de uma montanha, com uma vista fascinante do litoral, constituída por ruas sinuosas e por pequenas casas de pedra, a maior parte delas transformadas em galerias de arte e lojas de produtos típicos. Na Riviera Francesa quase todos os pontos de interesse estão a uma curta distância e em 15 min, de carro, já estavamos a cruzar a fronteira do Mónaco. No preciso momento em que um de nós estava a dizer qualquer coisa como, “Isto não parece ser nada de especial”, começa a chover com toda a intensidade. Resultado, fomos embora, não sem antes espalhar alguma magia, com a minha técnica rodoviária, em meia dúzia de curvas do circuito internacional de Fórmula 1 do Mónaco. Foi um show, até o GPS do carro interrompeu as indicações para dar-me os parabéns.

A chuva abrandou e paramos em Villefranche-sur-Mer para jantar. Por estar muito próxima da fronteira de Itália, a Côte d’Azur é muito influênciada culturalmente pelo país vizinho, e isso reflecte-se na cozinha. Proliferam as pizzarias de massa fina, com opções também para massas ou saladas com sabor a Itália. Não foi difícil escolher o local para comer desta vez. Sentamo-nos na esplanada de um restaurante, debaixo de uma árvore, que nos protegia de uma chuva leve que ainda persistia. Velas acessas, uma brisa fresca a levantar-se, e comida quente para equilibrar o espírito. Fim da jornada. No dia seguinte íamos a Cannes e já começava a ficar nervoso. Seria finalmente este ano que eu ganharia a Palma de Ouro?