Côte d’Azur – Tudo pode dar certo – Parte 2

Alguém que não goste de cinema? Dúvido que exista alguém que afirme não gostar. O cinema é a arte mais consensual, completa e mais complexa, mas, paradoxalmente, a arte que mais facilmente compreendemos. O cinema é capaz de reunir todas as artes, e a sua influência é avassaladora. Mais do que sermos entretidos por uma história, o bom cinema, é aquele que nos leva para um mundo desconhecido, que através da experiência do autor, somos confrontados com sentimentos que nunca nos foram revelados. Gosto de pensar no cinema também como uma viagem, uma forma de viagem transcendente, com o poder de nos fazer encontrar um lugar dentro de nós, ou até mesmo de promover uma mudança, mesmo sem sairmos do lugar. Para mim, quando nos identificámos com um filme, é quando ele se torna um dos nossos favoritos. Um filme tem o poder de nos fazer sentir melhor, dentro da nossa crónica solidão. Isso acontece quando nos revemos naquela personagem, quando a história retrata uma realidade que conhecemos, ou, se de um diálogo sai uma frase que clarifica aquilo que há muito tempo estava encravado em nós. Quando um bom filme acaba, fico sentado, e não consigo deixar de assistir aos créditos até ao fim. A verdadeira viagem só começa depois do ecrã ficar escuro.

Os festivais de cinema foram criados para celebrar o trabalho dos grandes mestres da 7ª arte, sejam eles realizadores, actores, argumentistas ou técnicos. Alguns dos melhores já subiram  a escadaria do Palácio do Festival, em Cannes. Impossível não imaginar ser uma estrela ao subir aqueles degraus.

Cannes é uma cidade com uma descrição pouco surpreendente. Atravessar a avenida de La Croisette é apreciar um desfile de carros de alta cilindrada, cruzando lojas de marcas de alta costura e hotéis, sempre com vista para o porto e os seus iates. O Palácio do Festival de Cannes fica exactamente neste epicentro. Compramos pão de azeitonas e várias frutas no mercado, sentámo-nos no banco de um parque a comer. Arriscamos uma subida íngreme para conhecer a Église Notre Dame d’Espérance. O esforço é compensado pela vista do porto, e pela oportunidade de descobrir uma outra faceta de Cannes. Entramos na cidade velha, no bairro medieval Le Suquet, numa sequência de ruas estreitas e antigas, sempre com o castelo como referência. Finalmente encontramos um mini mercado com água mais barata que o litro de gasolina. Sentimos que estava tudo visto. Voltamos a percorrer toda a marginal para encontrar o carro e procurar outro destino. Regressarei a Cannes se for nomeado para algum prémio.

O plano já tinha sido definido, seguir sempre a marginal durante 10 kms, parar em Antibes, descansar na praia, e finalmente experimentar o mar. Antibes foi uma surpresa, principalmente o seu centro histórico, a fervilhar com música em todas as ruas. Ficamos tentados pelas bancas de artesanato e como sempre, pelos restaurantes e pelas incríveis pastelarias. Obrigado França pelo éclair au chocolat, e obrigado Antibes pelo melhor gelado que alguma vez já comi. Descobrimos o Marché Provençal, e deixámo-nos perder… Repetimos as mesmas ruas várias vezes, sem nunca nos cansarmos. Ficou apenas por conhecer o Château Grimaldi, antigo estúdio de Pablo Picasso, que depois se transformou num museu. O Museu Picasso abriga uma colecção de uma grande variedade obras e fotografias do artista espanhol, estando instalado numa posição privilegiada, com uma vista deslumbrante do Mediterrâneo.

Voltamos a casa. Durante regresso, enquando absorvia as memórias daquele dia, deixava flutuar na minha cabeça o som do acordeão de um músico em Antibes, como uma espécie de banda sonora dos meus pensamentos. Antes de dormir, obriguei-me a pensar numa ideia para escrever um filme. Acabei por adormecer a pensar no gelado que comi.

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