Inquietações III – Revoluções Silenciosas

Quem nasceu algures na década de 80, teve o privilégio de chegar à idade adulta e ver rebentar na sua cabeça o tsunami da crise económica. Foram anos de infância e adolescência a levar com o paradigma do estudar, para trabalhar, comprar, casar e engravidar, como sinónimo de status social mínimo aceitável. E foi quando nos preparavamos para o início da jornada gloriosa da vida adulta, que levamos com a onda gigante da crise, que não nos afogou, mas que nos virou completamente do avesso.

A primeira revelação foi que nem sempre é possível trabalhar naquilo que gostas, mas, se o quiseres fazer, podes sempre fazer um estágio não remunerado. Oportunidades de emprego noutras áreas rareavam, por isso, entrar no mercado de trabalho, significou para muitos a descoberta de um admirável mundo novo. Salários mínimos, horas extraordinárias não remuneradas, recibos verdes, estágios profissionais fraudulentos, prémios de produtividade de 5€, pagos com cheques-prenda para trocar no shopping, e claro, a pressão das entidades patronais e a sua natural falta de tacto para lidar com os colaboradores. Tudo cenários de quem não pôde contar com a protecção da família, até porque esta crise atingiu todas as gerações, e muita gente foi obrigada a aceitar trabalhos precários ou emigrar, para precisamente, poder também dar apoio aos pais. Uma geração que para se motivar deixou de pensar no futuro e passou a viver um dia de cada vez.

Agora esta geração ronda os 30 anos de idade e quem não arriscou, é a altura certa para o fazer.

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Este é um apelo contra o comodismo. Este é um apelo à resistência, à resistência que é dizer não a propostas desonestas, um apelo à resiliência e ao optimismo. O dinheiro é obviamente essencial, mas devemos nos reeducar para a felicidade e não para o consumismo. A verdadeira revolução não está no barulho, nas palavras de ordem e nos cartazes, mas está em cada um de nós e nas nossas escolhas. Se formos capazes de dizer mais vezes que não, talvez consigamos aos poucos mudar este paradigma do país. A liberdade só começa quando somos nós, e não terceiros, a ditar o rumo e aceitar as consequências das nossas decisões.

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