O Rio Douro e a Melhor Estrada do Mundo ao Som de Eddie Vedder

Não haverá em Portugal, rio tão carismático e carregado de história como o Douro. O rio e a região do Douro são um legado que recebemos e que temos o privilégio de apreciar, quase intacto, quase puro. A região do Alto Douro Vinhateiro é a prova que é possível o homem tirar partido dos recursos da natureza, sem a destruir, e mesmo assim ser capaz de produzir qualidade e excelência.

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Com a passagem do tempo vamos apurando os nossos gostos, vamos educando o nosso palato para sabores que não estávamos habituados, e mais do que isso, vamos aprendendo a distinguir a qualidade mais facilmente. O vinho é um produto que se aprende a gostar e que depois de se aprender, é amor para toda vida. Daí começar a crescer uma vontade de saber mais, de conhecer o seu processo de produção e de entender quais são as suas origens. Visitar a região do Douro Vinhateiro é obrigatório. E para além disso, percorrer quilómetros, a maior parte deles lado a lado com o rio Douro, é natural, principalmente para quem é do norte do país. O Douro é o nosso rio.

Deixámo-nos dormir, por isso quando chegamos à Régua já quase meio dia tinha passado. Peso da Régua não é a cidade mais bonita do mundo, muito graças a construção desenfreada de hotéis e de blocos de apartamentos, que destroem a harmonia da paisagem. Percorremos toda a marginal da cidade até às icónicas pontes da Régua. Entrámos no centro da cidade e ao passar junto da estação de comboios começam a acender luzes na minha memória, que recordam viagens em família com paragem obrigatória junto à estação para comprar rebuçados. Almoçámos num pequeno restaurante, nas traseiras do Museu do Douro. O vinho, o leite creme à sobremesa e a simpatia do dono do restaurante já valeram os quilómetros.

Por falar em quilómetros, são 27 os quilómetros da “melhor estrada do mundo”, que tem ínicio precisamente aqui, na Régua. A estrada nacional N222 começa em Vila Nova de Gaia, mas foi o troço entre Peso da Régua e o Pinhão, que foi considerado no ano passado a melhor estrada do mundo para conduzir pela Avis, empresa de aluguer de automóveis. Partimos rumo ao deslumbramento, com o Into the Wild de Eddie Vedder, em loop, a servir como banda sonora do percurso. Foram 27 quilómetros sempre com o rio e os socalcos do Douro lado a lado, numa competição com o comboio na outra margem, para ver quem é que tinha a melhor visão panorâmica. Aparentemente, não foi só a paisagem que contou para esta distinção. Este título baseia-se também numa fórmula científica desenvolvida pelo físico quântico Mark Hadley, que cruza uma análise da geometria da estrada, o tipo de condução, a aceleração média e lateral, o tempo de travagem e as distâncias. Foi isso, ou então foi o Turismo de Portugal que se chegou à frente, e patrocinou este cruzamento de dados. São 93 curvas, interrompidas por algumas rectas relativamente longas, onde o carro vai deslizando suavemente, permitindo oportunidades para o condutor desviar por momentos o olhar da estrada e apreciar a paisagem.  20161020_170742

Chegamos ao Pinhão para uma curta volta de reconhecimento. A vila de Pinhão fica situada na margem direita do rio Douro, no coração do Alto Douro Vinhateiro, onde estão localizadas muitas das principais quintas produtoras de vinho do Porto. A vila deve o seu nome à sua localização, na foz do rio Pinhão, um dos afluentes do Douro. Visitamos a estação ferroviária com os seus famosos azulejos datados de 1937, e demorámo-nos no cais entre pescadores ocasionais, enquanto chegava uma ou outra embarcação com turistas. O Pinhão tentou-nos a ficar a relaxar mais um pouco, e a beber mais um copo de vinho, mas quisemos aproveitar as poucas horas de luz que ainda restavam para regressar à estrada e fazer uma visita a Lamego.

Lamego é uma cidade muito antiga, com referências históricas do tempo dos romanos, e isso sente-se logo à chegada. Caminhamos pelo centro histórico, visitamos o castelo, passamos pela Sé Catedral e claro, admiramos o Santuário da Senhora dos Remédios. Ainda consideramos a hipótese de subir os 686 degraus da escadaria de acesso ao santuário, mas por sorte, reparamos numa padaria que anunciava como especialidade a Bola de Lamego, e assim esquecemos o exercício físico. Compramos quatro fatias, porque estamos em fase de crescimento. Entretanto a noite caiu de vez e o frio começou a apertar. Regressamos a casa.

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