A Submissão Tecnológica em Black Mirror

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Todos os dias quando acordamos e nos olhamos ao espelho, o que é que vemos? Usamos espelhos todos os dias, e para a maior parte de nós, essa é a primeira acção matinal, onde confirmamos se a noite passada nos estragou ou regenerou. Depois, porque os dias podem ser longos, é possível ainda aproveitar espelhos ocasionais que descobrimos, para confirmar se ainda mantemos um certo grau de sobriedade para enfrentar o que falta do dia.

Vivemos numa época em que esses três ou quatro vislumbres diários já não são suficientes. A era digital deu-nos mais espelhos, fazendo crescer nas pessoas uma vontade de ver reflectida a sua imagem em tudo o que são plataformas.

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Black Mirror é uma série que reflecte a imagem de um futuro, não muito distante do nosso, obrigando-nos a olhá-lo até se partir. A série de Charlie Brooker é uma metáfora que explora os vícios tecnológicos de uma sociedade que se esqueceu da sua verdadeira essência, e que se refugia em plataformas e gadgets ultra avançados. Aliás, a aura sombria das histórias mostram uma humanidade que acha que domina a sua relação com a tecnologia, mas que na verdade fica cada vez mais fragilizada com ela. Uma série que mistura ficção científica, drama, comédia, que questiona as actuais ambições das pessoas e a forma como actualmente olhamos uns para os outros. Citando o autor da série no The Guardian:

“Se a tecnologia é como uma droga – e ela parece com uma droga – quais são precisamente os efeitos colaterais? Essa área – entre o prazer e o desconforto – é onde Black Mirror, a minha nova série dramática, está situada. O “espelho negro” do título é aquele que irá encontrar em cada parede, em cada mesa, na palma de cada mão: a frio e brilhante ecrã de uma TV, monitor ou smartphone.”

Para já a série conta com três temporadas, num total de 13 episódios, todos com histórias e actores diferentes, mas que alguns especialistas da internet já conseguiram encontrar alguns pequenos pontos em comum entre episódios, por isso convém seguir a ordem natural das temporadas. O importante é ver a série, não de uma perspectiva de ser entretido por uma história, mas com o propósito de desvendar as várias camadas das diferentes narrativas que o autor nos proporciona. Difícil não ficar de boca aberta com algumas passagens da série e de não ficar com uma ligeira sensação de desconforto no final de alguns episódios.

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https://www.theguardian.com/technology/2011/dec/01/charlie-brooker-dark-side-gadget-addiction-black-mirror

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