um sítio para fugir

Douro – A crónica de um regresso anunciado

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Não havia um objectivo definido, apenas uma vontade de regressar. A ideia surgiu depois, já no caminho, procurar vistas e panorâmicas deslumbrantes sobre o rio Douro e a região vinhateira, e talvez, quem sabe, encontrar pistas que ajudassem as autoridades a encontrar um famoso fora da lei em fuga, há mais de três semanas naquela região.

Depois da auto-estrada e seguindo pela N101, o primeiro vislumbre do rio Douro aparece logo depois de Mesão Frio e é de paragem obrigatória.

A rota segue depois sempre paralela ao rio e à linha ferroviária do Douro, serpenteando os socalcos, encontrando pelo caminho várias quintas de vinhos famosos. Em poucos minutos chegamos à Régua, e atravessamos a cidade sem parar, em direção a Galafura.

O miradouro de São Leonardo de Galafura, situa-se a cerca de 620 metros de altura, sendo reconhecidamente um dos locais mais privilegiados para poder captar a essência desta região. Poderia tentar descrever a paisagem, mas o meu esforço seria uma sombra daquilo que Miguel Torga já escreveu sobre este lugar:

“O Douro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta.”

(Miguel Torga, Diário XII).

Depois seguiu-se uma jornada épica de mais de um hora a ziguezaguear pelas montanhas, com paragens cirúrgicas para subtrair castanhas e medronhos que apareciam no caminho. O destino era o Pinhão, onde o almoço seria servido. Desta vez o restaurante merece destaque. No cais turístico do Pinhão, junto à ponte ferroviária pode encontrar-se uma excelente refeição no Restaurante VelaDouro. A escolha recaiu nos Secretos de Porco Preto e o Bolo da Casa como sobremesa.

A segunda parte do dia ficou reservada para conhecer a Quinta do Seixo. Para além de ser uma quinta, esta é também um miradouro, e não sei de haverá no Douro mais alguma quinta com uma vista tão exclusiva. Decidimos fazer uma visita guiada à adega, à garrafeira e aos lagares robóticos. A visita é complementada por meios multimédia que explicam todo o ciclo de produção e por uma prova de Vinho do Porto numa sala com uma vista panorâmica sobre o rio. O vinho já era bom, mas o lento desvanecer do sol reflectido nas folhas já secas das vinhas, transformou aquele vinho num néctar digno dos deuses do Olimpo.

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