Procuro uma definição de liberdade. Para alguns a liberdade pode ser entendida sob uma perspectiva de ausência de submissão e de servidão. Por outro lado podemos considerá-la como a consequência da autonomia e espontaneidade de um sujeito racional.
Qualquer pesquisa sobre o significado de liberdade produz uma enorme quantidade de resultados que traduzem a tentativa de definição por alguns filósofos ou pensadores ao longo do tempo. Qualquer tentativa para a definir numa frase ou num parágrafo será sempre redutora. Não nos damos conta, mas a liberdade será provavelmente o bem maior que qualquer um de nós pode alcançar, mais do que qualquer tipo de valor material. Liberdade talvez seja sinónimo de felicidade.
A batalha pela conquista da liberdade, colectiva ou individual, acompanha a evolução do homem desde os seus primórdios, e está muito longe de algum dia ter um fim. Não somos livres a grande maioria do nosso tempo. Somos condicionados por regras e pelo dinheiro. Vivemos em sociedade e sob o escrutínio da mais variada panóplia de leis que regem o país onde vivemos, passando pelas obrigações profissionais que nos limitam, principalmente quando não gostamos daquilo que fazemos, e pelas próprias relações interpessoais que nos pode condicionar também as vontades. Daí a importância da expressão “Tempo Livre”. É fundamental escolher bem aquilo em que queremos gastar o nosso escasso tempo de lazer.
Para desfrutar de um desses momentos de tempo livre, e aproveitando a efeméride que mais celebra esse valor em Portugal, no dia 25 de Abril, o Dia da Liberdade, viajamos até Arouca para conhecer os famosos Passadiços do Paiva.
Arouca é uma pequena vila que tem começado a ganhar algum destaque nos últimos anos. Alavancado pelo sucesso do clube de futebol da região, o concelho tem conseguido aproveitar o recente protagonismo para mostrar a quem o visita as suas outras duas grandes facetas: a gastronomia e sua geografia.
Antes de almoço, tempo para um curto passeio nas ruas de Arouca, pelo parque e para conhecer a fachada do Mosteiro de Santa Maria de Arouca. O almoço foi obviamente posta arouquesa e a sobremesa depois, num espaço muito agradável no centro da vila, “Doces Conventuais – Manuel da Silva Bastos”, oportunidade para provar as pedras parideiras, as castanhas e as morcelas doces.

Os Passadiços do Paiva são provavelmente um dos mais ambiciosos e bem sucedidos projectos portugueses dos últimos anos. Com esta obra, a Câmara de Arouca, com o apoio de fundos europeus, democratizaram o acesso a vários quilómetros do rio Paiva, antigamente apenas acessível aos mais aventureiros. Foi assim construído um percurso em madeira de cerca de 8 quilómetros, quase todo em estruturas suspensas no vale. O percurso liga Espiunca e o Areinho, sendo possível fazer o trajecto nos dois sentidos, totalizando 16 quilómetros para quem fizer ida e volta. Foi o que fizemos, porque tínhamos uns certos açúcares de uns doces conventuais para queimar no organismo.
Quem preferir pode utilizar um táxi para o regresso ou pode organizar-se, se for em grupo, para levar dois carros. Para além de aproveitar a paisagem das vertentes rochosas da margem esquerda do rio, é possível parar nas belas praias fluviais para descansar e ir a banhos. Começar no Areinho será a melhor opção, para aproveitar a energia do início da caminhada para os cerca de 30 minutos de subida ao longo do serpentear da escadaria. O esforço é compensado por dois miradouros, a 200 metros de altura, com uma paisagem que nos convence de que Portugal é de facto, um país bonito. Depois disso o percurso é bem mais confortável, quase sempre a descer e com muitas sombras pelo caminho.

O Geoparque de Arouca proporciona muito mais que os Passadiços, ficando aqui a ligação para mais percursos e actividades para quem for adepto deste tipo de liberdades.
http://www.aroucageopark.pt/pt/
Terminamos a caminhada estafados, sem mais nada para dar e finalmente já com fome outra vez. Tomamos a liberdade de comer e voltar para casa.