um sítio para fugir

Ano de 2016. Para esquecer ou não esquecer, eis a questão.

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A História precisará de maior distância para dar o seu veredito, mas o ano de 2016, provavelmente, será considerado um dos piores anos da história contemporânea, seguramente, o pior do século XXI.

Puxando atrás o filme do ano que passou, todos nós recordaremos, em primeiro lugar, dos numerosos atentados que eclodiram em todo o mundo, com especial destaque, para os que começaram a acontecer bem mais perto de nós. Aliás, os atentados terroristas na Europa, a proliferação do estado islâmico e a consequente guerra na Síria e no Iraque, bem como a crise dos refugiados, vêm demonstrar-nos que esses elementos do eixo do mal, provenientes do Médio Oriente, aumentaram a parada no seu nível de malvadez. Reparem, o estado islâmico não se limitou apenas a tirar vidas aleatórias, mas atacou também o nosso estilo de vida. Quer queiramos, quer não, ao serem atacados locais de culto ou lazer, ou plataformas que utilizamos todos os dias para deslocarmo-nos, por pouco que seja, foi instalada uma pequena percentagem de medo na nossa consciência. 2016 foi o ano do medo. Medo provocado em sírios, iraquianos, e noutras nacionalidades do Médio Oriente, que os foi empurrando na direcção do Mediterrâneo e consequentemente da Europa. O objectivo era simples, promover o caos numa Europa que cada vez mais se desagregava, até aquela altura, devido aos problemas económicos.

O Brexit é consequência directa deste plano, pois mais de 80% da campanha foi centrada na crise dos refugiados e pelo facto do Reino Unido temer, que pelas quotas de pessoas que teria de receber, por ser um estado-membro, correria o risco acolher no seu território mais alguns elementos com intenções duvidosas. O Brexit foi apenas o primeiro acto de um plano que começa a dar outros frutos. Na restante Europa começam a ganhar destaque partidos políticos de extrema-direita, populistas e eurocéticos, que se aproveitam deste clima para subir degraus na escada do poder. Assistimos a sinais preocupantes na Áustria, Hungria, Polónia, em algumas autarquias na Alemanha, em Itália, e claro, em 2017 já não será surpresa se Marine Le Pen ganhar as eleições presidenciais francesas.

Mais. Assistimos a um enorme retrocesso democrático e cultural na Turquia, que para Erdogan, dá a sensação que é para o lado que dorme melhor. Tivemos acesso aos famosos Panamá Papers, que apenas revelaram uma coisa que toda a gente já sabia, e que até ver, sem grandes consequências para quem tem dinheiro escondido.

Neste ano que passou, a principal telenovela brasileira não teve Tony Ramos no principal papel, mas sim Dilma Rousseff, Lula da Silva e o vilão Michel Temer. Uma novela inspirada na série de “House of Cards”, mas com mais samba e carnaval à mistura. Interessante também assistir às lágrimas dos cubanos pela morte do seu amado comandante e ditador. Mais interessante ainda, foi assistir às mesmas lágrimas em alguns portugueses com espaço na opinião pública do nosso país.

Aviões caem com mais frequência, ora porque são derrubados, ora por depressão do piloto (2015), ou porque o comandante quis poupar combustível. Já não bastavam estas tragédias, e 2016 decidiu também subtrair a existência de alguns dos principais nomes da comunidade artística mundial, com maior destaque para a música e para as perdas de artistas como David Bowie, Prince, Leonarn Cohen e George Michael.

Mesmo no fim, foi finalmente eleito o homem do ano, Donald J. Trump, e não podia ter sido escolhido melhor homem para ser o porta-estandarte do ano que passou. O que dizer deste gatinho de cabelos loiros? Para já nada. Apetece-me mais entrar na cabeça de Obama, infelizmente, um dos maiores flops da política mundial. O presidente que em 8 anos de exercício podemos apenas retirar de positivo um acordo ambiental de Paris, que ninguém vai respeitar, uma visita de estado a Cuba que serviu para Obama mostrar às filhas um país nos anos 50, bem como para renovar o seu stock de charutos. Quase no fim do mandato, Obama acabou também por inventar uma espécie de pedido de desculpa ao Japão pelas bombas atómicas. Foi simpático.

Positivo em 2016. Em primeiro lugar as grandes tournées mundiais de Papa Francisco Road Show e de Marcelo Rebelo de Sousa SuperStar. Depois alguns sinais de esperança numa Colômbia que caminha aos poucos para a paz, e claro, Portugal campeão europeu de futebol, Éder e a mental coach Susana Torres.

E o que vai acontecer em 2017, vai correr tudo bem?

Depois da tomada de posse de Trump nos EUA, ninguém sabe o que vai acontecer no país e no mundo, porque nem Trump o sabe. Talvez o mundo não fique pior do que está agora. O que sei é que vai ser mais um ano fantástico para o advento das redes sociais. Barack Obama foi um bom presidente para as redes, pelos seus discursos, boas intenções, e imagens fofinhas, como será também Donald Trump, mas por razões completamente opostas.

A Europa, EUA, Rússia e Médio Oriente, continuarão num continuo despique através dos seus esquemas e jogos de influências, mantendo o clima de tensão no mundo. A África e a América do Sul vão continuar absorvidos, como sempre, pelos seus crónicos problemas internos. Por outro lado, boas notícias para a China, que irá aproveitar o ano de 2017 para consolidar a sua posição de economia dominante, com a Índia e o Japão a aproveitar a mesma crista da onda. De Portugal espera-se apenas que a geringonça vá funcionando.

Boa sorte e votos de um feliz 2017.

“Believe” por Éderzito António Macedo Lopes

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