um sítio para fugir

Londres, Oxford – Parte 2

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Situada nas margens do rio Tamisa, Oxford é uma pequena cidade, famosa pela sua universidade, umas das mais antigas de língua inglesa e considerada uma das dez melhores do mundo. Quem acha que vai encontrar um campus universitário como nas universidades mais modernas vai enganado, a universidade funde-se com a própria cidade, sendo composta por cerca de 40 colégios espalhados pelo seu território. Futuros reis, presidentes, cientistas, escritores, vencedores de prémios Nobel, muitos dos melhores passaram por aqui, daí a necessidade categórica da minha presença nesta cidade, como um dos maiores pensadores vivos da sua geração. A minha investigação começou imediatamente no restaurante, estudando cuidadosamente a carta com os diversos menus, debatendo-me sobre os prós e contras da escolha de um hambúrguer, ou se por outro lado, a escolha de um prato de frango com alto teor proteico e baixo nível de gordura poderia confirmar-se como uma melhor opção no rácio nutrição/satisfação. Escolhi o frango, e logo na primeira dentada comecei a pensar no sentido da vida. Impressionante o poder desta cidade em abrir a consciência de um homem.

Os seus ilustres frequentadores fizeram de Oxford uma cidade cara, quase ao nível de Londres e ainda hoje alguma da classe política britânica mantêm residência nesta zona, em algumas mansões perdidas no meio de extensos campos verdes, de um verde com uma tonalidade diferente, de que não temos em Portugal.

Não sei se andaram na universidade, mas os Radiohead nasceram aqui, e faz agora 20 anos que a banda de Thom Yorke percorreu algumas destas estradas para gravar o mítico álbum OK Computer. Entre 1996 e 1997, ao longo de 9 meses, o terceiro álbum de estúdio da banda ganhava forma numa mansão rural, algures entre Oxforshire e Bath, num recolhimento que permitiu ao grupo antecipar e captar nesse álbum alguma da essência e das inquietações que o novo mundo da era digital sofreria. O disco foi lançado a 21 de Maio de 1997.

Winston Churchill é também uma referência desta região. Dez quilómetros a norte de Oxford, em Woodstock, situa-se o Palácio de Blenheim, onde o carismático político britânico nasceu e terá tomado algumas das suas decisões mais importantes. O palácio foi construído como recompensa pelo contributo decisivo de Jonh Churchill, 1º Duke de Marlborough, na vitória sobre os franceses na batalha de Blenheim em 1704.

Nuvens carregadas, chuva, vento, frio, lama nos pés, eis as condições perfeitas para um passeio nos intermináveis jardins do palácio e para a colecção de algumas fotos de um lugar que até aquela manhã, não fazia ideia da sua existência.

Goring-on-Thames aparece no mapa mais ou menos a meio do percurso do rio Tamisa entre Oxford e Londres. Muito do encantamento que podemos ter sobre um sítio que visitamos é influenciado pelo o dia ou a hora que nos encontramos pela primeira vez nesse lugar. Era já o final de um dia de Outono que começara a esconder o sol um pouco depois das cinco da tarde. Estacionamos o carro para um curto passeio chegando à aldeia naquele preciso momento em que uma réstia de luz natural do dia que se finda, começa a misturar-se com a luz artificial das lâmpadas públicas e das janelas das casas. Aproveitamos o cada vez mais raro privilégio de caminhar e descobrir um lugar novo em silêncio e sem interferências de ninguém. As ruas de Goring e o rio Tamisa estavam ali só para nós… e sem a procurar, encontramos a casa do mais ilustre habitante desta aldeia à beira rio plantada. O último Natal de George Michael foi aqui, na sua casa projectada na margem esquerda do rio, onde até hoje se pode encontrar as marcas das várias homenagens que o artista tem merecido desde a sua partida.

A noite caiu de vez, fugimos do frio e a apesar de o sol já ter desaparecido, achei apropriado a caminho do carro cantar mentalmente a “Don’t let the sun go down on me”, para dar uma intensidade maior aqueles metros finais de estrada, para ao entrar no carro e arrancar para casa, desaparecer na paisagem ainda com a música em pano de fundo como se do final de um filme se tratasse.

Don’t let the sun go down on me
Although I search myself, it’s always someone else I see
I’d just allow a fragment of your life to wander free
But losing everything is like the sun going down on me

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