Bordéus, não afastes os teus olhos dos meus.

Conhecem aquela sensação de entrar numa piscina vazia, com as águas paradas e simplesmente deixarmo-nos deslizar suavemente naquela porção de água azul até que o impulso do nosso mergulho se esgote, até que o último resquício de oxigénio desapareça dos pulmões e nos obrigue a emergir da água para retomar o fôlego? Deixamos depois todo o ar reentrar pelo nariz e pela boca e redescobrimos instantaneamente o prazer de respirar.

Às vezes esqueço-me de respirar. Pode acontecer a qualquer um. Passar dias inteiros, ou semanas ou meses, a viver em apneia. Há quem consiga não respirar durante anos, e há quem respire uma ou duas vezes por ano, principalmente lá para meados da segunda quinzena de Agosto. Eu preciso de respirar com mais frequência, mas como disse, às vezes esqueço-me.

O ar de Bordéus estava carregado, aquecido por uns pouco primaveris 40 graus, mas mesmo assim sabia bem respirá-lo. As minhas pobres referências sobre a cidade limitavam-se à sua fama pela qualidade dos seus vinhos e à existência do clube de futebol que a representa, que já teve melhores dias.

Bordéus é uma cidade em crescimento e renovação. Mesmo num dia feriado, que se previa de fuga da maioria das pessoas para as zonas balneares da região, o centro histórico estava à pinha, um cenário perfeito para quem gosta de fazer gincanas urbanas entre pessoas, bicicletas, carros e motas. A Pont de Pierre é uma das principais portas de entrada do centro histórico e uma oportunidade para atravessar as lamacentas águas do rio Garonne. Ao longe pontificam na silhueta da cidade as torres da Basilique St. Michel e da mais visitada Cathédrale St. André. Umas dezenas de metros mais à frente, a Porte d’Aquitaine dá acesso a uma das ruas mais emblemáticas da cidade, a Rue Sainte-Catherine que possui o título de ser a maior rua comercial da Europa com mais de 1km de extensão. No final desse quilómetro encontrámos a Place de la Comédie, onde é possível apreciar a fachada do Grand Théâtre, mas onde as pessoas cansadas de tanta cultura, atropelavam-se para tirar fotografias ao menu do restaurante do Gordon Ramsay.

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Quase todas as paisagens são mais bonitas ao entardecer. O sol de Bordéus começa a sua lenta descida no firmamento, os espaços sombrios começam a crescer, mas o calor, esse, veio para ficar. Uma verdadeira sociedade das nações vai-se reunindo à volta do Miroir d’eau para se refrescar, para brincar ou apenas para serem actores de um teatro de sombras que nos tenta explicar pela enésima vez que no fundo somos todos iguais.

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Encontramos no conforto de uma esplanada o local ideal para acompanhar com mais calma o espectáculo do entardecer de Bordéus, aproveitando a oportunidade para sentir a excêntrica experiência de pagar cinco euros por uma água com gás.

Magnifique! Superbe! C’est genial, ah... Já valeu a pena vir a Bordéus só por causa disso.

Nas zonas mais periféricas da cidade multiplicam-se as construções de novos blocos de apartamentos com linhas modernas, armazéns e outros espaços obsoletos são renovados, principalmente pela comunidade artística, transformando-os em novas zonas de comércio e lazer. Bordéus é uma cidade que parece não querer limitar-se apenas a pensar no presente, aqui, respira-se um ar que nos dá uma perspectiva de futuro, de uma evolução positiva que trará melhor qualidade de vida para quem usufrui desta cidade.

Se eu cá morasse, não queria sair daqui, só para ver o que é que vai acontecer a seguir.

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