2017 foi um ano “Brutal”. Pelo menos esse parece ter sido o adjectivo do ano que passou, aquele que conseguiu um consenso alargado na maioria da sociedade civil, e que por isso serviu para definir tudo e qualquer coisa que para o interlocutor de ocasião fosse minimamente impressionante.
Não sei quem terá sido a alma iluminada que reinventou o “Brutal”, que conseguiu resgatar a palavra da pasmaceira de alguns diálogos esporádicos e a transformou numa estrela popular do universo linguístico-gramatical português.
Depois de bastante tempo em que tudo parecia ser “Top”, os criadores de tendências linguísticas aumentaram a parada e distribuíram na cartilha dos seus fiéis seguidores as instruções para que a transição linguística fosse feita de forma gradual e orgânica. É por isso que foi ainda possível assistir a fenómenos “Top” durante este ano, pelo facto de alguns oradores serem mais resistentes à mudança.
No fundo, para quem gosta de analisar estas coisas, 2017 foi um ano em que tivemos o privilégio de assistir ao fim de uma era “Top”, assistindo gradualmente ao crescimento e apogeu de uma novíssima jornada “Brutal” da humanidade. Fico curioso por saber o que se seguirá.
Talvez o próximo ano traga novidades, talvez a sociedade escolherá romper com o paradigma instalado, e optar pela utilização de adjectivos polissilábicos para definir os próximos acontecimentos do ano que se inicia.
Se assim for algumas palavras poderão ganhar o destaque que já mereceriam há muito tempo. Penso por exemplo nas palavras “Fascinante”, “Admirável”, ou “Esplendoroso”.
Noutro sentido, talvez haja a necessidade de regressar aos clássicos, numa espécie de renascimento linguístico, onde expressões populares do passado poderão ganhar novo fôlego.
O “Baril” poderá aparecer de rompante, ou de um momento para o outro tudo passará a ser “Bué Fixe”. Por outro lado, talvez possamos voltar a pedir um “coche” do bolo que o nosso amigo está a comer.
Na categoria de palavras ou expressões que exprimem o riso, os meus desejos mais íntimos sonham com a abolição dos emojis, ansiando um fulgurante regresso do “LOL” para assinalar momentos de boa disposição. Mas confesso, que muito mais do que o “LOL”, o ser saudoso que em mim existe, quer, com todas as suas forças, que volte à linguagem corrente de toda a população, não só a internauta, a expressão “LOLADA GERAL”, para voltar a resumir aqueles momentos humorísticos mais pujantes e abrangentes que sentimos ser dignos de um riso mais alargado.
Espero também que 2018 não seja um ano em que apenas aqueles com “o coração cheio” se manifestem. Precisamos de saber quem são aqueles que têm “o coração meio cheio”, “meio vazio”, ou mesmo “sem coração”. Queremos também saber se outros órgãos do vosso corpo estão cheios ou com espaço. Em 2018 publique um auto-retrato e diga-nos se está de “estômago cheio”, de “intestino vazio”, ou de “fígado estragado”.
Em 2018, surpreenda os seus amigos e família com a utilização de vocábulos diferenciados, faça de todas as suas intervenções um momento solene, fuja da monotonia e arrisque palavras novas, invente um neologismo, ouse falar numa língua diferente, solte as amarras e liberte o pequeno Jorge Jesus que sabemos que tem dentro de si.
Mas acima de tudo fale, não deixe nada por dizer, e se disser uma calinada ou mesmo uma destas palavras que toda a gente gosta de dizer, pelo menos que seja assim, com todo o sentimento.
Votos de um 2018 esplendoroso, e principalmente, esperança de um próximo ano com maior variedade vocabular.
[to Becca, on her first day of school]
Hank Moody: Whatever you do, don’t be another brick in the wall.